Ir embora..




Ir embora. Frase tão dolorida, mas que a tanto tempo faz parte da minha vida. Foram sempre tantos “adeus”, tantas despedidas... Aos dez anos fui embora da minha terra natal. Aos quatorze deixei para trás mais um lugar que já chamava de meu. Nos últimos quatro anos, como brincadeira do destino, tenho dado adeus eterno a pessoas que amo muito.
Ir embora... Nunca me acostumei com essa frase, muito menos com a dor que ela causa. Dor de mudança, dor de recomeçar e, as vezes, dor de não ter mais forças! Não gosto de ir, nunca gostei... processo, no qual, perco meus significados, o que antes tinha sentido passa a ser um lugar estranho... a vida muda e sempre que isso acontece requer muito mais que uma simples “acostumar”.
Hoje experimento um ir embora diferente. Diferente de todos os outros. É um ir que, bem mais do que qualquer um outro, depende apenas de mim, mas eu não quero! O desejo de ficar é bem maior que o beneficio do partir. Trata-se de um perceber que sua alma está vazia e que a única coisa que lhe preenche não lhe pertence, nesse momento nasce a dor... Uma das dores mais profundas que um ser humano pode sentir. Quando recomeçar é necessário, mas você não sabe ir sozinha... Dor de alma!
Dor de alma... dor de ir embora... como eu faço isso? Como eu vou embora se o que há de melhor em mim vai ficar? Como seguir um caminho que me afasta de tudo o que mais maravilhoso eu já vive na vida? Como? Não sei... não sei nem mesmo ir. Sinto –me com pés atados, não consigo dar um passo que não seja acompanhado por lágrimas. Lágrimas que são bem mais que a expressão da tristeza, é a angustia do coração.
Vivo uma dor que tem me tirado de foco e tem me colocado em solidão. Nunca temi a solidão, mas alguém me tirou dela e me ensinou o que é ser companhia... Agora não sei se consigo voltar ao antes, me acostumei demais com a presença! Não digo que sigo em frente, nem sequer que sigo. Acredito que hoje eu estou parada na vida, não espero nada que me ajude a caminhar, espero apenas saber qual o caminho e torcer para que ele doa bem menos do que o esperar tem doído.

(Paula Alves)

Essa tal Psicologia...

Dizem que por trás das palavras existem significados que cada um atribui, como se fosse uma magia por trás de cada coisa que dizemos, e isso é encantador.

Mas se existe uma palavra que me intriga é a tal Psicologia. Fico instigada pelas possibilidades de reação que a pronuncia dessa palavra pode provocar. Ao reproduzir tal palavra, as vezes me deparo com reações endurecidas, como se a Psicologia pudesse reter o sujeito em si próprio; outras vezes, ela é capaz de gerar um relaxamento no ambiente, podendo até culminar num sorriso singelo, mas tranquilizante, como se de agora em diante tudo pudesse fluir melhor.

Acredito que essa palavra é cercada de uma magia envolvente e terrivelmente apaixonante, que faz daqueles que se apossam dessa, possuidores de um mistério intrigantemente claro, que deixa em aberto desde o óbvio até o que foge da compreensão humana.

Não são bem as pessoas que escolhem pela Psicologia, mas é como se um mundo mágico de possibilidades e vivências tomassem conta de um ser humano ao ponto de que este não deseje mais nada a não ser viajar, sem rumo, pela alma humana. Não há necessidade de chegar a lugar algum, nem mesmo existe a possibilidade do retorno, não é necessário saber o início e nem delimitar o fim.

Pouco sei sobre os mistérios que envolvem a Psicologia, posso até não compreender ao certo o que fazer com o pouco que ela me deixou conhecer, mas tenho a plena sensação de que não é possível pensar o meu eu sem ela, sinto como se a viagem já começou, não tenho pressa pelo fim, nem desejo chegar a lugar nenhum, talvez o ponto de parada seja o mesmo da partida e talvez ainda eu resolva parar no meio da trajetória, nem adiante, nem retrocedendo, mas tenho a certeza que a tal magia já existe em mim.

(Paula Alves)


Te escrevi...

(Paula Alves)

Te escrevi hoje, na tentativa de te ter mais perto. Criei um cheiro só seu, seu rosto eu fiz com exatidão, pintei seus cabelos e te escrevi dedicatória, escrevi teus defeitos e os grifei com lápis vermelho para que eu possa amá-los...

Escrevi nossas histórias, criei o começo, nem mesmo pensei no fim... Rompi a barreira do futuro, deixei de lado o tempo da espera e fiz das minhas palavras uma realidade!

E agora te guardei dentro de mim, na tentativa de te encontrar... Coloquei seu retrato por aí, talvez você não me ache, mas fico feliz pela possibilidade de que você me procure!

Em 2012 nada me atrasa...


(Paula Alves)

2011 acabou e 2012 chegou com força total... E a noite de ontem foi tão linda, tão especial que ainda vive em mim. Na noite passada, em meios a alguns olhares, eu deixei pra traz tudo que me atrapalha, tudo que me bloqueia, tudo que um dia eu amei! Não teve adeus, não teve conversa, apenas olhares que se encontraram e tiveram a certeza de que o tempo passou, as coisas mudaram, nós mudamos, tomamos novos caminhos, tivemos a certeza de que nos transformamos em relação ao que éramos antes...
Já não mais ciúme, já não mais medo, já não mais saudade, apenas respeito e gratidão! Respeito pelo que nós somos, pelo que nos transformamos, pelo que sentimos... Gratidão por você ter me ajudado a ser mulher, uma mulher-criança, mas muito forte.
Ontem, alguns olhares me libertaram para um ano novo, um ano que começa para o meu coração, para a minha vida. Nós mudamos tanto e crescemos também, e a vida tomou seu rumo, e o tempo fez questão de tornar tudo mais calmo... Já não há mais paixão! Aquilo que ainda me prendia, que me sufocava, que me travava, ontem foi embora junto com 2011. Tomou seu lugar no passado, lembrança de um tempo bom, de um sentimento maravilhoso... tomou seu lugar na saudade de um lembrança boa... agora só uma lembrança...
Isso tem um valor tão grande para mim. Esperei tanto tempo isso acontecer e o fim foi muito mais bonito do que eu pudesse imaginar... um fim no olhar, um fim de “eu te amei e foi tão bom”, um fim de “seja feliz você também”... um fim, o nosso fim, e que bom que ele chegou!
E 2012 começa a tomar sua forma, agora de coração livre, temos um novo ano... Serei capaz de me apaixonar novamente? Uma probabilidade bem remota, vindo de alguém que dificilmente se apaixona... Mas hoje, primeiro dia do ano, eu tenho a certeza de que nada me atrasa, nada me segura, nada me impede, de buscar o que, por dois anos e meio, eu simplesmente ignorei: A MINHA VIDA!


“Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém. Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem. Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem. Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém. Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também. Ultimamente eu só tô querendo ver o ‘bom’ que todo mundo tem. Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem? Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém. Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem. Tô feliz, tô despreocupado, com a vida eu tô de bem.” Caio Fernando Abreu

Por uma vida inteira...

E quando chegar ao fim,
Que seja devagarinho,
Num minuto bem lento,
De uma vida bem cumprida...
Que seja chuvoso,
E que seja calmo o fim,
Nem gritos,
Nem choros,
Nem discussões,
Apenas olhares que se entendem no adeus...
Quando chegar ao fim,
Não me peça pra ir embora,
Também não saia você de mim...
Habite outros olhos,
Visite outros corações,
Mas deixe comigo a vida,
Não a sua, nem a minha, mas a nossa...
Não leve minhas palavras,
Nem pegue de volta suas promessas,
Elas ainda fazem sentido...
Compre roupas novas,
Construa novos sonhos,
Brinque de ser feliz
Estarei torcendo por você...
Mas se por acaso a brincadeira acabar,
Pode voltar, eu ainda estarei aqui,
Num minuto bem lento,
Mas por uma vida inteira!

(Paula Alves)

Problema...

Meu problema é
palavra
som
enredo
imagem

Meu problema é
fantasia
dança
sonho
ilusão

Meu problema é
toque
cheiro
verso
imaginação

Meu problema?
meu problema é
Poesia...

(Paula Alves)


Poesia...



Ajuntei as pedras

aquelas que me jogaram

e as que eu joguei...


Construí um castelo,

uma ponte,

um sonho...


Fiz um limpa na alma,

encontrei caminhos novos

e cresci...


Perdi o amor,

encontrei amizade...


Deslizei,

cometi erros

e me arrependi...


Travei batalhas,

levantei a cabeça

e cai...


E no meio dos escombros,

encontrei

a força,

a lágrima,

a graça,

a poesia!


(Paula Alves)